Por que tantos homens passam a “sofrer para urinar” com o tempo?
A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é um crescimento não cancerígeno da próstata, muito comum com o avanço da idade.
Ela não é sinônimo de câncer, mas pode causar sintomas incômodos — principalmente relacionados ao jato urinário fraco, necessidade de urinar várias vezes, urgência e acordar à noite para ir ao banheiro.
Quando a próstata aumenta de tamanho, ela pode apertar a uretra e atrapalhar a saída da urina. Isso cria uma espécie de “gargalo”, e o corpo tenta compensar: a bexiga faz mais força, o jato perde potência e aparecem sintomas.
O ponto importante é: HPB tem tratamento. Em muitos casos, mudanças de hábitos e medicações controlam bem.
Em outros, procedimentos minimamente invasivos ou cirurgias resolvem o problema de forma duradoura. O segredo é avaliar cedo, antes de complicações como retenção urinária (não conseguir urinar), infecções recorrentes ou piora do funcionamento dos rins.

Quem sou eu
Meu nome é Victor e sou médico Urologista.
Sou formado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba e fiz minha residência em Urologia em Campinas, na PUC-Campinas. Realizo atendimentos e cirurgias em Urologia geral, Cirurgia Robótica e Cirurgias minimamente invasivas.
Sinta-se à vontade em meu site, em meu consultório e durante a consulta. Estou aqui para te dar um atendimento de qualidade sanando todas suas dúvidas e anseios, aliado à tecnologia e empatia.
Atuo em Londrina – Paraná e será um prazer recebê-lo!

O que é HPB?
HPB significa que a próstata aumenta por causa de um crescimento benigno do tecido.
Isso costuma acontecer de forma lenta e progressiva ao longo dos anos, influenciado por fatores hormonais e pelo envelhecimento.
HPB não é câncer de próstata, e ter HPB não significa que você terá câncer. Porém, os dois podem coexistir, então a avaliação urológica é importante para diferenciar as situações e orientar o seguimento adequado.
O quão comum é a HPB?
A HPB é uma das condições urológicas mais frequentes em homens adultos e idosos.
Em torno de 50% dos homens com mais de 50 anos terão HPB. E quase 90% dos homens com mais de 80 anos, também terão HPB.
Muitos homens terão algum grau de crescimento prostático ao longo da vida, mas nem todos terão sintomas.
Fatores que podem aumentar o risco ou piorar os sintomas (não são “culpas”, mas associações comuns):
• Idade
• Histórico familiar
• Sobrepeso/obesidade
• Sedentarismo
• Síndrome metabólica (pressão alta, diabetes, alterações de colesterol)
• Consumo elevado de álcool/cafeína (piora sintomas em muitos homens)
Sintomas: como a HPB se manifesta?
Os sintomas costumam ser chamados de “sintomas do trato urinário inferior”. Eles se dividem, de forma simples, em dois grupos:
1) Sintomas de esvaziamento (obstrutivos)
- Jato fraco
- Demora para começar a urinar
- Intermitência (o jato para e volta)
- Esforço para urinar (fazer força)
- Sensação de esvaziamento incompleto
- Gotejamento após terminar
2) Sintomas de armazenamento (irritativos)
- Urinar muitas vezes ao dia
- Urgência (vontade súbita, difícil de segurar)
- Acordar à noite para urinar (noctúria)
- Em alguns casos, perda urinária por urgência
Sinais de alerta (procure avaliação com prioridade)
- Não conseguir urinar (retenção)
- Sangue na urina
- Dor forte, febre ou calafrios (pode indicar infecção)
- Infecções urinárias repetidas
- Pedras na bexiga ou dor suprapúbica recorrente
- Piora importante e rápida dos sintomas

Como o urologista confirma HPB e avalia a gravidade?
O diagnóstico não é “um exame único”. Ele é feito pela combinação de história + exame físico + exames direcionados. O objetivo é:
1) Confirmar que os sintomas batem com HPB
2) Avaliar o impacto na qualidade de vida
3) Excluir outras causas (infecção, bexiga hiperativa isolada, estreitamento da uretra, alterações neurológicas etc.)
4) Definir o melhor tratamento para o seu caso
1) Conversa clínica (anamnese)
O médico vai perguntar sobre sintomas, frequência urinária (inclusive à noite), urgência, dor, sangue, medicamentos em uso, hábitos (cafeína/álcool), doenças associadas (como diabetes) e impacto na rotina.
É comum usar questionários como o IPSS para medir a intensidade e acompanhar a evolução.
2) Exame físico (inclui toque retal)
O toque retal avalia tamanho aproximado, consistência e presença de achados suspeitos. Ele não define tudo sozinho, mas ajuda no contexto.
3) Exames laboratoriais comuns
- Urina tipo 1 (EAS): procura infecção, sanguena urina e outras alterações.
- PSA (em muitos casos): auxilia na avaliação prostática, mas deve ser interpretado.
- Creatinina (em casos selecionados): para avaliar função renal quando há suspeita de obstrução importante.
4) Exames funcionais e de imagem (conforme necessidade)
- Ultrassom: estima volume da próstata e avalia bexiga, rins e resíduo pós-miccional.
- Urofluxometria: mede velocidade do jato urinário.
- Estudo urodinâmico: reservado para casos específicos (diagnóstico duvidoso, falha terapêutica, suspeita de disfunção da bexiga).
- Cistoscopia: pode ser indicada em suspeita de estreitamento uretral, sangue na urina ou avaliação pré-operatória.
Tratamento: o que realmente funciona para HPB?
O tratamento depende de três coisas:
1) Intensidade dos sintomas
2) Impacto na sua vida
3) Risco de complicações (retenção, infecções, pedra, insuficiência renal, resíduo alto)
1) Observação e mudanças de hábitos (casos leves)
- Reduzir líquidos 2–3 horas antes de dormir (se acorda muito à noite).
- Diminuir cafeína (café, chá-preto, energéticos) e álcool.
- Evitar segurar urina por muito tempo.
- Cuidar do intestino (constipação pode piorar sintomas).
- Revisar medicamentos com seu médico (alguns pioram a dificuldade para urinar).
- Controlar peso, sedentarismo, diabetes e apneia do sono, se houver.

2) Medicações (muito usadas e eficazes)
a) Alfa-bloqueadores
Relaxam a musculatura do colo da bexiga e da próstata, facilitando a saída da urina.
Em geral, melhoram em dias a semanas. Possíveis efeitos incluem tontura, queda de pressão e alteração ejaculatória em alguns homens.
b) Inibidores da 5-alfa-redutase
Atuam no componente hormonal e podem reduzir o volume da próstata ao longo de meses. São mais úteis quando a próstata é maior.
Podem causar diminuição da libido ou alteração da ereção em parte dos pacientes. Exercem um efeito de queda em torno de 50% do valor do PSA, mas isto deve ser interpretado pelo Urologista.
c) Terapia combinada
Em muitos homens com sintomas moderados a importantes e próstata maior, usa-se alfa-bloqueador + inibidor da 5-alfa-redutase.
d) Quando há sintomas de bexiga hiperativa associados
Se predominam urgência e frequência, o urologista pode indicar medicamentos que atuam na bexiga, avaliando com cuidado o risco de retenção.
3) Procedimentos minimamente invasivos (selecionados)
Existem técnicas que podem melhorar sintomas com recuperação mais rápida e, em alguns casos, menor impacto sexual.
A indicação depende do tamanho e formato da próstata, presença de lobo mediano, comorbidades e preferência do paciente.
4) Cirurgias (quando é o melhor caminho)
Em geral, são indicadas quando:
- Há complicações (retenção, infecções repetidas, pedras na bexiga, grande resíduo, alterações renais).
- Sintomas importantes persistem apesar de medicação.
- O paciente prefere uma solução mais definitiva, após discutir riscos e benefícios.
A escolha do método ideal depende do volume prostático, anatomia, uso de anticoagulantes e objetivos quanto à ejaculação e recuperação.

Quais os tipos de cirurgia?
1) Holep (Enucleação de próstata à laser)
Esta é a terapia mais moderna utilizada hoje em dia, pode ser usada em todos os tamanhos de próstata, com melhor efeito em próstatas acima de 70 a 80g.
Todo o procedimento é feito pela uretra (canal da urina), ou seja, sem cortes. Com recuperação mais rápida e alta hospitalar precoce.
2) MISTs (Terapias minimamente invasivas)
São procedimentos realizados de maneira ambulatorial, sem internação hospitalar, de maneira minimamente invasiva, ou seja, também sem cortes. Sendo realizado via uretral
O mais utilizado hoje no Brasil é o Rezum, que é uma tecnologia em que utiliza vapor de água para tratar a HPB. Tem suas indicações restritas com bons resultados, mas que devem ser individualizadas pelo seu Urologista!
3) Prostatectomia Transvesical Robótica
Este procedimento é reservado para próstatas que são bastante volumosas em que o tempo em que trabalhamos dentro da uretra já não se torna mais tão vantajoso, por alguns riscos, como a estenose de uretra.
Também é um procedimento minimamente invasivo, mas este sim, são realizadas pequenas incisões no abdome e é realizada a remoção do adenoma da próstata (parte que está aumentada).
4) RTU de próstata
Este último procedimento é o mais antigo deles, já bem consolidado e muito realizado! Também é feito apenas pela uretra, mas não conta com a tecnologia mais avançada dos outros acima citados!
Também, é realizado com mais segurança para pacientes com próstatas até 80g!
Perguntas frequentes (FAQ) sobre HPB
HPB vira câncer de próstata?
Não. HPB é benigna e não “vira” câncer. Mas um homem pode ter HPB e, independentemente disso, desenvolver câncer, por isso o acompanhamento é importante.
Todo homem com próstata aumentada precisa operar?
Não. Muitos controlam bem com hábitos e medicação. Cirurgia é indicada quando há complicações ou quando os sintomas limitam a vida apesar do tratamento clínico.
Acordar para urinar à noite sempre é HPB?
Não necessariamente. Pode ter relação com ingestão de líquidos à noite, apneia do sono, diabetes, diuréticos, bexiga hiperativa e outras causas. A avaliação ajuda a separar.
PSA alto significa HPB?
O PSA pode subir com HPB (por maior volume), mas também sobe por infecção, inflamação e câncer. Ele precisa ser interpretado individualmente.
Se eu começar remédio, vou usar para sempre?
Nem sempre. Alguns homens usam por períodos longos; outros ajustam a dose, trocam medicação ou optam por um procedimento definitivo.
HPB atrapalha a vida sexual?
Os sintomas podem afetar a qualidade de vida e, indiretamente, a sexualidade. Além disso, alguns tratamentos podem interferir na ejaculação ou libido; converse com o urologista para alinhar expectativas.
Existe “tamanho normal” da próstata?
A próstata tende a aumentar com a idade. Mais importante do que o tamanho isolado é avaliar sintomas, fluxo, resíduo urinário e presença de complicações.
Quando procurar um urologista?
Procure avaliação se você:
• Está com jato fraco, demora para urinar ou precisa fazer força
• Acorda várias vezes à noite para urinar
• Tem urgência e sensação de esvaziamento incompleto
• Teve infecção urinária, sangue na urina, ou não conseguiu urinar
Quanto mais cedo avaliar, maior a chance de controlar com medidas simples e evitar complicações.
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